segunda-feira, 8 de março de 2010

Mover o Acheronte: Um imperativo




Em meados de 2006 comecei eu a pensar em um blog. Não sabia o que escrever, como escrever mas tinha a clara intenção de sublimar. Isso mesmo, através da escrita recorreria àquele modo de funcionamento tão peculiar investigado por Freud o que me tornaria alguém mais leve, mais saudável, mais equilibrada, digamos assim.


Fato é que de lá para cá quase 4 anos se passaram , muita sublimação foi feita, muitos textos escritos, vivências postadas até que um dia, sem mais nem menos, chega-me o aviso: sua conta foi desativada.


Isso mesmo, assim, com esse impacto todo, com palavras tão definitivas que não me permitiam que sequer houvesse um questionamento: " - Mas veja bem, senhor Google, eu não fiz nada, não burlei nenhuma regra deste universo aqui, por favor, não me delete, não faça isso com alguém que tem toda uma vida escrita e rescrita, publicada e editada..."


Não adiantou, Google não quis saber e nem conhecer todo o sentimento envolvido em meu blog, em minha conta de orkut, como se eu fosse qualquer animal rastejante, qualquer réptil ignóbil ou mesmo um indigente desqualificado, matou-me, eliminou-me da vida internética e eu só posso dizer que tudo isso continua sendo um bom motivo para eu voltar a fazer o que eu sempre fiz: sublimar.


Sim, sublimar com arte ou mesmo com alguma atividade socialmente mais aceita a dor e a revolta que sentimos, por exemplo. Sinto-me morta, assassinada, desprendida de meus textos tão simbólicos, tão determinantes, tão meus. Agora sou dona de um blog vazio que aos poucos se encherá de coisas, possíveis reflexões, quem sabe até outras questões aparecerão.


Eis o novo blog, similar, jamais igual. Pretendo - porque não desisto - exercitar minha veia literária e utilizá-la , despudoradamente para o velho fim de sublimar. Porque algumas coisas ainda me doem, porque sinto falta do meu blog, dos meus textos , dos meus desenhos. Foi-se com o vento, não devo chorar, alguém deve dizer, devo eu, ao contrário, encontrar forças, forças estas somente presentes em sobreviventes de enchentes, terremotos e outras tantas tragédias naturais, para reconstruir meu precioso espaço para mover o Acheronta nosso de cada dia.


A vida requer, nós fazemos. Chega de chorar o leite derramado. Que tudo venha de melhor e mais gracioso nesta nova fase, cheirando a novo , mesmo. Página branca, imaculada, segue teu destino, escreve-te!



Que navegue-se o Acheronte!

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